Hotel Cecil: os detalhes do misterioso desaparecimento de Elisa Lam

 


Elisa Lam teria apresentado comportamento estranho antes de desaparecer no Hotel Cecil em janeiro de 2013; seu corpo seria encontrado semanas mais tarde, dentro da caixa d'água


morte da jovem canadense Elisa Lam, ocorrida em 2013 no Hotel Cecil, é um dos casos mais comentados da internet. Apesar de a investigação oficial ter concluído que a jovem morreu por afogamento acidental, inúmeros detalhes incomuns fizeram com que o caso continuasse a despertar curiosidade entre investigadores e curiosos.


Elisa Lam tinha 21 anos e era estudante da University of British Columbia, no Canadá. Nascida e criada em Vancouver, era descrita por colegas como uma pessoa gentil, comunicativa e criativa. Ao mesmo tempo, porém, enfrentava desafios pessoais relacionados à saúde mental. Em textos publicados em seu blog, ela falava abertamente sobre ansiedade, insegurança, bem como episódios depressivos. Em determinado momento, inclusive, chegou a contar que havia sofrido uma recaída emocional e que sentia que estava ficando para trás em relação aos colegas. 

Diagnosticada com transtorno bipolar, Lam fazia tratamento com medicamentos. Porém, segundo familiares, ela tinha histórico de interromper o uso da medicação, o que, em algumas ocasiões, havia provocado episódios de alucinações ou delírios. Por essa razão, a jovem chegou a ser hospitalizada.

No início de 2013, Elisa decidiu fazer uma viagem pela Califórnia. Ela visitou primeiro San Diego, onde publicou nas redes sociais fotos tiradas no zoológico da cidade. Poucos dias depois, em 26 de janeiro, seguiu para Los Angeles. Dois dias mais tarde, hospedou-se no Hotel Cecil.


Um local controverso

Inaugurado em 1924, o Hotel Cecil era um edifício com quase um século de história e uma reputação controversa. Ficava próximo à região conhecida como Skid Row, marcada pela pobreza e por sua grande população em situação de rua. Ao longo das décadas, o Cecil acumulou episódios sombrios, incluindo suicídios e crimes violentos. Entre os hóspedes mais famosos esteve o serial killer Richard Ramirez, conhecido como “Perseguidor Noturno”, que viveu ali durante sua série de assassinatos nos anos 1980. Outro criminoso ligado ao hotel foi Jack Unterweger, suspeito de ter se hospedado ali durante o período em que matou três trabalhadoras do sexo em 1991.

Com o passar do tempo, aponta a revista People, o local abrigou viajantes e moradores permanentes. Na década de 2010, seus proprietários tentaram renovar a imagem do prédio, renomeando parte dele como “Stay on Main”.


Poucos dias após a chegada de Elisa ao hotel, seu comportamento começou a preocupar funcionários e hóspedes. Inicialmente, ela dividia um quarto com outras mulheres, mas as colegas de quarto reclamaram que a jovem estava agindo de forma estranha. A gerente do hotel na época afirmou que Lam chegou a trancar as companheiras do lado de fora do quarto e deixar bilhetes com mensagens como “Vá embora” ou “Saia”. Diante da situação, a administração decidiu transferi-la para um quarto individual.


Em 31 de janeiro de 2013, Elisa foi vista pela última vez. Naquele dia, ela visitou a The Last Bookstore, uma famosa livraria situada a poucos quarteirões do hotel. A gerente da 

loja

Katie Orphan, recordou que a jovem parecia extrovertida e amigável, tendo comentado sobre os livros que comprava para levar de presente à família.


Mais tarde, Elisa voltou ao hotel. Funcionários disseram tê-la visto circulando pelo saguão e pelas áreas comuns. Em determinado momento, ela teria gritado algo como: “Eu sou louca, mas Los Angeles também é!”. Pouco depois, dirigiu-se aos elevadores do prédio. Foi ali que surgiram as últimas imagens conhecidas da estudante.


Imagens divulgadas

Durante a investigação sobre seu desaparecimento, policiais do Departamento de Polícia de Los Angeles analisaram centenas de horas de gravações de segurança. Em uma dessas filmagens, destaca a People, Elisa aparece dentro de um elevador, comportando-se de maneira peculiar. Ela pressiona vários botões rapidamente, entra e sai do elevador repetidas vezes e parece espiar pelo corredor como se estivesse tentando se esconder de alguém. Em certos momentos, movimenta as mãos de forma incomum, como se estivesse conversando com uma pessoa que não aparece na gravação.

O vídeo foi divulgado ao público cerca de duas semanas depois do desaparecimento e, em questão de poucas horas, alcançou milhões de visualizações. Surgiram inúmeras interpretações: alguns acreditavam que Elisa estava sendo perseguida, enquanto outros sugeriam envolvimento de forças sobrenaturais.


As investigações prosseguem

Enquanto o vídeo alimentava teorias online, as buscas continuavam. Os investigadores examinaram o quarto de Elisa, que já havia sido limpo pela equipe do hotel. Seus pertences, entre os quais estavam sua carteira, computador e medicamentos, se encontravam no local. Não havia sinais de arrombamento nem evidências de violência.

Cães farejadores rastrearam o cheiro da estudante até uma janela do quinto andar que dava acesso à escada de incêndio. Esse detalhe sugeria que ela poderia ter deixado o prédio por ali ou subido para níveis superiores.

O mistério permaneceu sem resposta por quase três semanas. Então, em meados de fevereiro, hóspedes do hotel começaram a reclamar da água: a pressão estava fraca e a coloração parecia estranha. Alguns disseram que a água tinha gosto desagradável.


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